“Educação para o Século 21” aponta caminhos para políticas públicas de ensino

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A necessidade do equilíbrio entre as competências cognitivas e não cognitivas foi uma das principais conclusões do seminário realizado pelo Instituto Ayrton Senna

“Certamente, estamos saindo daqui diferentes de como chegamos e cientes de que temos de fazer nossa lição de casa.” Assim Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, encerrou o Seminário Educação para o Século 21, evento realizado pela ONG na terça-feira, dia 25, no Hotel Hyatt, em São Paulo (SP). O seminário teve cooperação da Unesco e da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. “Concluímos que podemos fazer muito para desenvolver competências em crianças que chegam à escola com grandes deficiências de aprendizado”, acrescentou.

Diante de cerca de 330 participantes de 13 estados, entre educadores, acadêmicos, prefeitos e secretários de Educação, os palestrantes concordaram que o ensino deve ser baseado no equilíbrio entre competências cognitivas e não cognitivas. Para eles, o desenvolvimento das habilidades não cognitivas – ligadas a características como autonomia, raciocínio crítico, liderança, facilidade de relacionamento, tolerância, entre outras – deve integrar o currículo do ensino fundamental para todos os alunos. Dessa forma, essas crianças e adolescentes terão melhores condições de desenvolver as competências cognitivas e estarão mais bem preparadas para enfrentar os desafios do século 21, no mundo do trabalho, da economia globalizada, das questões políticas, sociais e ambientais.

Segundo James Heckman, prêmio Nobel de Economia e professor do Instituto Henry Schultz da Universidade de Chicago (EUA), as competências não cognitivas geram resultados positivos tanto na área social quanto econômica, pois impactam na formação de personalidade das crianças. “Não podemos ignorá-las ou teremos graves problemas sociais”, alertou o especialista. Para Heckman, o investimento em tal cuidado tem consequência até na redução dos índices de criminalidade. Tudo isso também depende muito do envolvimento da escolas, e não apenas das famílias. “A interação desses agentes é imprescindível para o desenvolvimento do ambiente social”, afirmou Heckman.

O médico e PhD Miguel Nicolelis vai além. Professor de Neurociência da Universidade Duke (EUA), ele acrescenta que as competências não cognitivas, com destaque para a curiosidade investigativa, também são fundamentais ao desenvolvimento científico e tecnológico de um país. Nicolelis defende a ciência como agente de transformação social e, por consequência, o investimento de qualquer nação neste setor.

Para discutir a educação neste século, é essencial falar sobre inovação. E essa conversa não se restringe a novidades tecnológicas, equipamentos multifuncionais e o universo da internet. Essas ferramentas só podem ter o máximo aproveitamento quando as pessoas que as utilizam manterem uma postura inovadora.  Como mostrou o professor titular de Engenharia de Software da Universidade Federal de Pernambuco, Silvio Meira, a vontade de fazer diferente e a iniciativa propriamente dita podem transformar o ambiente.

Essa renovação também está associada à retomada de valores determinantes para que haja harmonia em qualquer sociedade. Eduardo Gianetti da Fonseca, professor do Insper, chamou a atenção para o atraso brasileiro na solução de problemas fundamentais, como o da qualidade da nossa educação. “Em pleno século 21, ainda não resolvemos problemas do século 19.” O presidente executivo do Grupo Abril, Fábio Barbosa, compartilha da opinião de Gianetti e acrescentou que evidenciar determinados valores depende apenas da disposição das pessoas. E a educação é um dos principais fatores desta mudança.

Sobre o Instituto Ayrton Senna
O Instituto Ayrton Senna é uma organização não-governamental, fundada em 1994, que atua em todo o país para ajudar a garantir educação pública de qualidade a crianças e jovens. Em 16 anos, já beneficiou cerca de 13 milhões de estudantes em mais de 1.300 municípios de 25 estados e Distrito Federal. Mais informações sobre esse trabalho no site www.senna.org.br.

Fonte: Assessoria de Imprensa Instituto Ayrton Senna / CDN Comunicação Corporativa