Educar 2011: O foco sobre os colaboradores

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Pela “combinação inteligente” entre papéis, apoio e cobrança

Construir objetivos comuns, estabelecer metas e ações, cobrar resultados e dar clareza aos papéis que competem a cada colaborador conferem qualidade à gestão escolar e garantem o sucesso do projeto educativo das instituições.

Esse foi o ponto marcante das palestras do 7º Educador Management (Seminário Internacional de Gestão em Educação), que registrou grande afl uência de público na Educar 2011.

Há cerca de dez anos um grupo de professores de Vitória, Espírito Santo, se uniu em torno de uma cooperativa e criou o “UP Centro Educacional”, escola de Ensino Médio e pré-vestibular. A instituição atende hoje a 2.700 alunos em três unidades, está prestes a inaugurar uma sede própria (a quarta unidade) e, por meio desta, pretende chegar aos cinco mil alunos em ambos as modalidades e ainda implantar o Fundamental II. Mas boa parte do grupo de professores se mantém agora apenas em sala de aula, já que a escola foi assumida no fi nal de 2008 por um mantenedor proveniente da área médica, que lhe imprimiu outro perfi l de administração e, sobretudo, pôs fi m à sobreposição de funções que até então vinha comprometendo a administração e, em consequência, a saúde fi nanceira da instituição.

“Tínhamos muito cacique, como os professores eram donos, havia confusão de papéis”, relata Fábio Cardoso Portela, atual diretor-presidente do UP e também professor de Português na escola, ex-aluno e ex-sócio da cooperativa. Fábio esteve na Educar 2011 com parte dos atuais gestores do UP. Segundo ele, trabalhar a redefi nição dos papéis “foi uma solução” para a instituição, que na época da mudança de comando tinha 800 alunos e era defi citária. “Já em 2009, saltamos a 1.800 estudantes”, lembra. O segredo foi delimitar essas funções, bem como adotar ferramentas de gestão empresarial comuns a outras empresas, como a composição de um Conselho de Administração - “que é quem manda”, e o planejamento estratégico. Ele e o professor Alexandre Bittencourt Borges de Oliveira mantiveram a dupla função (Alexandre também é diretor), mas Fábio observa que se posicionam diante dos alunos como docentes e não permitem que sejam abordados como dirigentes em sala de aula.

 

OBJETIVO COMUM, RACIONALIDADES DISTINTAS
A ênfase na necessidade de defi nição e clareza dos papéis dos colaboradores perpassou grande parte das palestras do 7º Educador Management (Seminário Internacional de Gestão em Educação), promovido no âmbito da Educar 2011. Em uma das palestras mais concorridas do evento, a consultora e pedagoga Célia Godoy defendeu a revisão das atribuições e responsabilidades de cada um no interior da escola como forma de revitalizá-la, de transformá-la. “Quando misturamos papéis, surgem confl itos, não se sabe para quem se pergunta”, disse. A redefi nição deve começar nos gestores, em especial pelo coordenador pedagógico, hoje muito absorvido pelos problemas operacionais do dia a dia, sem tempo, portanto, para articular a implantação do projeto pedagógico. Por outro lado, é preciso também situar o professor no próprio processo, proporcionando-lhe condições para o exercício do trabalho.

Em uma mesa de “conversas” comandada pelo educador Celso Antunes, em que gestores e consultores abordaram o assunto, Mario Uribe, diretor do Programa de Gestão e Direção Escolar da Fundação Chile e membro do Comitê de Formação de Gestores de Excelência do Ministério da Educação daquele país, disse que deve haver uma “combinação inteligente entre pressão por resultado e apoio”, dentro de um modelo que reforce “o papel, o status e a identidade do professor”. Na verdade, conforme ponderou seu colega de mesa, Júlio César Furtado dos Santos, reitor do Centro Universitário Uniabeu, do Rio de Janeiro, revitalizar uma escola ou fazê-la crescer, “sem olhar para o capital humano, é ato de loucura”. Júlio e Mario estavam acompanhados ainda por Tobias Ribeiro, coordenador do Programa de Gestão de Qualidade da Fundação L’Hermitage, e Casemiro Campos, consultor em formação de professores e gestão.

“A escola é executora de um projeto para o qual todas as pessoas que nela atuam precisam estar cientes e de acordo”, afi rmou Júlio Furtado. Ou ainda, retornando à palestra de Célia Godoy, a gestão acontece “junto e por meio de pessoas”, em direção a objetivos construídos pelo grupo, sob o uso de suas funções e do conhecimento. Mas cada cargo apresenta uma “racionalidade diferente”, conforme pontuou Casemiro Campos. “A do gestor é a racionalidade do não, que a gente tem que dizer o tempo todo, enquanto a do professor é a do ativista, dizendo o tempo todo para o aluno que ele pode.”

 

DELIMITANDO AS FUNÇÕES

DIRETOR
O reitor Júlio Furtado lembrou que as escolas bem posicionadas junto ao IDEB têm professores satisfeitos com os resultados de seu trabalho. “Compete, portanto, ao gestor fazer com que esse resultado apareça, o que atua como automotivação e, junto com os demais apoios, leva à mudança da escola.” Mas quem deve ser esse diretor? Para o consultor Tobias Ribeiro, que também ministrou uma palestra específica sobre o perfil do diretor, ele deve ser assertivo, o que facilita a adesão e o alinhamento da equipe.
“Ele não pode ser nem fiscal nem demasiadamente agradável, nem passivo nem agressivo, portanto, deve saber cobrar e para isso o autoconhecimento é fundamental.” Tentativas de parecer sempre simpático e bonzinho à equipe revelam um dirigente com baixa autoestima, o que compromete o seu trabalho, disse Tobias.


COORDENADOR PEDAGÓGICO

Segundo Célia Godoy, poucos sabem qual a função do coordenador pedagógico. Nem os próprios diretores têm clareza acerca desta figura, pois “o vê como braço direito, um faz tudo, quando, na verdade, o seu papel é mediar a práxis docente e o projeto pedagógico, verificando se há consonância entre os dois”. Em outras palavras, o coordenador realiza a mediação entre a proposta (tomada como estímulo) e a prática (tomada como resposta), cobra dos professores sua participação na construção deste projeto. “O coordenador pedagógico não é para resolver problemas ou sanar dificuldades. É preciso mudar o foco: ele deve trabalhar para a realização de objetivos que estejam claros, combinados, explicitados e construídos coletivamente.”


PROFESSOR
Para Célia Godoy, o professor tem como atribuição legal, institucionalizada, “participar da construção do projeto pedagógico da escola”. No entanto, o reitor Júlio Furtado observou que esse envolvimento ou adesão acontece sob três condições básicas: “quando ele sente o apoio da direção, por meio de recursos, idéias e auxílio nas dificuldades; pelos resultados alcançados; e pelo perfil do aluno”.

 

Leia+:

“Dez Propostas ao Coordenador Pedagógico para a Gestão dos Conflitos”, elaborado pela consultora e pedagoga Célia Godoy;

Competências mínimas ao diretor de escola, conforme sugestões dos participantes da mesa comandada por Celso Antunes.



Saiba+

Casemiro Campos
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Célia Godoy
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Celso Antunes
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Fábio Cardoso Portela
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Júlio César Furtado dos Santos
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Mario Uribe
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Tobias Ribeiro
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Gestão: Educar 2011: Expositores

Na feira de expositores, a escola do século XXI

A vitrine dos expositores da Educar 2011 encheu os olhos de professores, coordenadores, mantenedores e demais educadores. Na área da tecnologia educacional, ela trouxe recursos de última geração como softwares de aulas interativas que pressupõem o uso de dispositivos móveis pelos estudantes (tablets); lousas digitais a canetas ou no formato touch que permitem intervenção simultânea de professor e aluno; e salas de aprendizagem em 3D.

Como suporte de planejamento pedagógico, apresentou novos processos de avaliação externa de resultados, sistemas de ensino repensados conforme a configuração atual do Enem, materiais didáticos específicos a algumas áreas, como educação financeira, além de dezenas de lançamentos de livros. Na parte de infraestrutura e equipamentos, mostrou várias opções em robótica, brinquedos e móveis. E na de serviços, expôs algumas possibilidades de parcerias com terceiros, como em esportes e teatro, por exemplo. Um prato cheio para quem busca suporte para uma escola moderna, antenada às expectativas do jovem do século XXI.

O diretor comercial da Hetchtech, Renato Rappoli, observou que as empresas estão atentas às necessidades dos mantenedores e procuram desenvolver soluções adequadas ao seu perfil. A Hetchtech lançou uma nova versão de lousa digital com duas canetas eletromagnéticas para o uso de alunos e de professores, produto alternativo àqueles que preferem um custo menor em relação aos modelos touch (também fabricados pela empresa). Outra solução bastante interessante, lançada na Educar 2011, foi o laboratório móvel de informática, estrutura em aço desenvolvida pela Hetchtech que abriga 36 netbooks, com bateria e dispositivos de acesso a internet (para redes wireless ou a cabo). É um carrinho com rodízios, que pode ser mantido em sala de aula ou transportado de uma a outra, sem problemas de segurança, já que possui fechadura eletrônica, cujo acesso é feito por senha, uso de cartões ou ambos.

Para o diretor de Mídias Digitais da Pearson Brasil, Tadeu Terra, a Educar 2011 serviu como importante palco para a demonstração dos novos projetos de educação interativa do grupo. Segundo Tadeu, 18 escolas da bandeira COC atuam com o sistema no País, junto ao 6º ano do Fundamental II e 1º ano do Ensino Médio. No próximo ano, o projeto se estenderá às demais séries do Fundamental II e Ensino Médio e um formato similar será lançado para a rede pública vinculada ao Name (Projeto Florescer). “O conteúdo se torna envolvente porque o próprio tablet ‘fala’ exatamente a linguagem do jovem, é rico em ilustrações, recursos de áudio, HQ’s (histórias em quadrinhos), infográficos e em links que aumentam a profundidade do estudo”, disse.

Em termos de suporte editorial, um dos destaques da Educar 2011 foi a coleção didática de educação financeira lançada pelo Instituto DSOP. “Vamos mudar o estilo de vida da escola”, observou Alexandre Damiani, gerente executivo do Instituto, destacando que mais do que os 15 volumes destinados aos alunos, e outros 15 aos professores, a metodologia traz embutida a capacitação de toda a equipe pedagógica e gestora em direção a uma nova postura de gestão dos recursos financeiros.

Reinaldo Domingos, autor da metodologia, explicou que “ninguém pode ensinar o que não pratica”. Assim, o sistema pressupõe capacitação em torno de quatro pilares: diagnosticar, sonhar, orçar e poupar. “As pessoas não costumam planejar os ganhos em função dos sonhos e metas, apenas para pagar as contas e ficar no zero a zero. E o homem mais pobre é aquele que não realiza sonhos”, observou Reinaldo. Segundo ele, o DSOP pretende ensinar professores e alunos a planejarem a consecução de seus sonhos, processo a ser iniciado desde o ciclo infantil.

Algumas áreas tradicionais também marcaram presença na Educar sob a bandeira da inovação. No caso dos brinquedos, a Ligamundos acrescentou o conceito “verde” ao portfólio das marcas que comercializa, de fabricantes sediados na Austrália, Estados Unidos e Suíça e que atuam com plástico reciclado, madeira de origem certificada e pigmentos naturais, entre outros. “Trabalhamos com brinquedos que expandem o horizonte criativo da criança, trazem qualidade de acabamento e design e, agora, respeito pela vida”, disse a empresária Nadine H. Wassmer, incorporando a defesa da sustentabilidade também nos produtos destinados aos estudantes.

 

Saiba+

Alexandre Damiani
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Nadine H. Wassmer
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Reinaldo Domingos
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Renato Rappoli
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Tadeu Terra
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Matéria publicada na Edição 69 de junho/2011 da Revista Direcional Escolas