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ESPECIAL/MUDANÇAS
CURRICULARES
Consolidação do Ensino Fundamental de
9 anos e novas disciplinas
No próximo ano o novo formato do Ensino Fundamental
deverá estar consolidado nas escolas brasileiras, que têm
ainda o desafio de implantar em seu currículo o ensino de Música,
Espanhol, Sociologia e Filosofia.
Por Rosali Figueiredo
Boa parte dos estabelecimentos privados em São
Paulo já adotou o Ensino Fundamental de nove anos, mas a Lei
federal nº 11.274/2006, que institui a obrigatoriedade, estabelece
2010 como o marco em que as crianças não mais poderão
freqüentar o 1º ano no ambiente da pré-escola. Venceu
em 2009 o prazo de transição, mas a idade mínima
para a matrícula do aluno continua gerando polêmica. Conforme
a lei, o ingresso somente deverá ser permitido às crianças
com seis anos ou que vierem a completá-los no início do
ano letivo. A Emenda Constitucional nº 53/2006, posteriormente
editada, também estabeleceu os seis anos como o corte mínimo
para a entrada no ciclo.
No entanto, o Conselho Estadual de Educação paulista (CEE/SP),
por meio da Deliberação nº 73/2008 e Indicação
nº 73/2008, determinou que o ingresso em 2010 poderá ser
permitido às crianças que completarem 6 anos até
o dia 30 de Junho. O mesmo procedimento é adotado por Minas Gerais
e o Distrito Federal, entretanto, outros estados seguem a normativa
federal. Segundo o presidente do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos
de Ensino do Estado de São Paulo), Benjamin Ribeiro da Silva,
a lei do Ensino Fundamental de nove anos é “inócua”,
pois somente “mudou a nomenclatura de 1ª série para
2º ano”. Na prática, observa Benjamin, ela atende
às necessidades da estrutura de financiamento do ensino fundamental
da rede pública no País, por meio do Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização
do Magistério (Fundef).
Mas do ponto de vista pedagógico, Benjamin questiona a propriedade
da lei, assim como o diretor do Colégio São Domingos,
Sílvio Barini Pinto. “O que está em discussão
é a aceleração na alfabetização,
que tira o espaço da brincadeira e do lúdico e começa
a formalizar precocemente esse processo. Tentamos equilibrar isso, mas
há uma demanda dos próprios pais por esta antecipação,
no entanto, ainda há um caminho a ser percorrido pela infância,
é preciso apresentar o mundo letrado por outros meios”,
observa. No Colégio São Domingos, localizado no bairro
de Perdizes, zona oeste de São Paulo, a equipe pedagógica
optou por “apresentar o mundo letrado de outras formas, sem recorrer
necessariamente ao código da escrita formal”. “Ao
se introduzir isso no 1º ano, procuramos fazê-lo da maneira
mais suave possível, sem preocupação com avaliação,
com letra espelhada ou invertida. São trabalhadas as letras que
trazem significado no cotidiano deles”, afirma o diretor.
Nova matriz curricular – Outro desafio colocado ao Colégio
São Domingos e a todas as demais escolas da educação
básica refere-se à introdução de novas disciplinas
obrigatórias no currículo. Três leis federais determinam
que Música, Espanhol, Sociologia e Filosofia deverão compor
a matriz curricular, estipulando prazos e formas distintas de transição.
O Espanhol, por exemplo, conforme a Lei nº 11.161/2005, terá
que ser oferecido por todas as escolas já no próximo ano,
concluído um prazo de transição de cinco anos após
a promulgação da lei, mas a frequência na disciplina
será facultativa para o estudante. Em seu artigo 1º, a lei
diz que o idioma deverá ser “implantado, gradativamente,
nos currículos plenos do Ensino Médio”, mas muitas
escolas estão entendendo que a obrigatoriedade em si não
reside necessariamente sobre esta etapa escolar. Além disso,
o dispositivo federal deixa como possibilidade à rede privada
instituir o ensino do idioma fora do currículo convencional.
Assim, o Colégio São Domingos, por exemplo, está
oferecendo o Espanhol como optativa para o Ensino Fundamental desde
2008. “A oferta deve ocorrer a qualquer momento da escolaridade,
do Ensino Fundamental II ao Médio. Esse entendimento é
validado pela Diretoria Regional de Ensino”, ressalta Sílvio
Barini. O São Domingos estuda também a melhor maneira
de introduzir o ensino de Música, este determinado pela Lei 11.769/2008,
com um prazo de transição de três anos. Como o conteúdo
não precisará ser exclusivo de uma única disciplina,
o formato que está se desenhando entre as escolas é o
de oferecer a modalidade junto a Artes, opção que deverá
ser adotada pela escola de Perdizes. “Uma das formas de trabalhar
Arte será pela Música, no Ensino Médio e do 6º
ao 9º ano”, diz Sílvio Barini. Além disso,
a escola oferece cursos extracurriculares de instrumentos musicais.
Finalmente, a Lei Federal 11.684/2008 colocou como obrigatório
ao Ensino Médio a oferta de Sociologia e Filosofia, mas não
determinou seu formato. Conforme orientações do Conselho
Estadual de Educação em São Paulo, ambas poderão
ser ofertadas de maneira intercalada, integrando-se a projetos pedagógicos
comuns, sem necessariamente passar pela oferta exclusiva de uma e outra.
De qualquer maneira, sua abordagem deverá estar presente durante
os três anos do ciclo. O Colégio São Domingos, porém,
irá oferecer as duas como cadeiras separadas no Ensino Médio.
Filosofia, por sua vez, já compõe a matriz curricular
do Ensino Fundamental II “há muito tempo, este é
um dos diferenciais que a escola oferece”, observa seu diretor.
Mas as novidades não param aí. Na verdade, o Conselho
Estadual de Educação no Estado, por meio da Deliberação
nº 77/2008, determinou todo o escopo curricular que deverá
ser cumprido pelas redes públicas e privada no Ensino Fundamental
e Médio, incluindo as disciplinas previstas por essas três
leis federais. E trouxe duas novidades: a possibilidade de se incluir
“mecanismos de Tecnologia da Informação e Comunicação
(TIC), para atividades complementares de ensino, reforço e recuperação”
no Ensino Fundamental, além da modalidade semipresencial em todas
as matérias do Ensino Médio, até o limite de 20%
da carga horária. A Deliberação considera semipresencial
“quaisquer atividades didáticas, módulos ou unidades
de ensino centrados na auto-aprendizagem e com a mediação
de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação
que utilizem tecnologias de informação e comunicação
remota”.
Um aliado contra a inadimplência
Os índices de inadimplência na rede privada
de São Paulo deverão fechar em 2009 nos mesmos patamares
de 2008, avalia o presidente do Sieeesp, Benjamin Ribeiro da Silva.
A média de dezembro de 2008 cravou nos 9,47%, informa o Sindicato,
taxa que não deverá ser muito diferente no fechamento
de 2009. “É um número ainda muito alto”, observa
o presidente. Mas a Lei federal nº 12.007/2009 ofereceu um novo
recurso às escolas, no sentido de proteger-se um pouco mais da
insolvência em alguns contratos. Segundo o dispositivo, no ato
da matrícula as instituições poderão solicitar
a declaração de quitação do estabelecimento
anteriormente frequentado pelo estudante, medida que vem sendo bastante
utilizado pelas mantenedoras junto à sua nova clientela.
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