COBERTURA DO 1º DIRECIONAL EDUCAÇÃO/ EM TEMPOS DE MUDANÇAS, QUAL DIREÇÃO SEGUIR?
Sex, 13 de Maio de 2011 16:00
PELO EQUILÍBRIO ENTRE A TRADIÇÃO E A INOVAÇÃO
Em evento realizado no dia 13 de abril pelas revistas Direcional Escolas e Direcional Educador, Mario Sergio Cortella e Christian Rocha Coelho deixaram ensinamentos e refl exões aos educadores e gestores, especialmente quando defenderam um novo olhar profi ssional e a parceria entre as escolas e as famílias. Enquanto Cortella falou ao educador de uma forma geral, destacando o descompasso ainda presente entre práticas do século XIX e o aluno do século XXI, Christian mostrou aos gestores e à sua equipe como tornar o trabalho pedagógico compreensível e visível aos pais.
Aos 37 anos de experiência em sala de aula, 35 deles na PUC de São Paulo, o professor, fi lósofo e doutor em Educação, Mario Sergio Cortella, abriu o 1º Direcional Educação no dia 13 de abril, no auditório lotado do Colégio Maria Imaculada, em São Paulo, com uma dúvida provocadora: “Será que eu, Cortella, sei dar aulas?” O próprio palestrante respondeu, logo em seguida: “Sei dar aulas até certo ponto. Pois não estou pronto para certa prática, porque a educação lida com a vida e a vida lida com mudança.” Como exemplo, Cortella citou que há dez anos inexistia blog, o qual acabou por alterar “a forma de aprender e ensinar”. “Com as novas tecnologias de informação e comunicação, o professor é ‘afi rmado’ ou ‘desafi rmado’ de maneira online”, observou Cortella. Ou seja, “a nossa competência fi ca muito mais à prova porque temos outros paradigmas de circulação da informação”.
“A educação e a emergência de múltiplos paradigmas, novos tempos, novas atitudes” foi o tema da conferência de Mario Sergio Cortella, que atraiu cerca de 420 pessoas ao primeiro evento da área da educação realizado pelo Grupo Direcional. Entre os presentes, havia gestores, coordenadores pedagógicos, professores e demais profi ssionais do meio, muitos deles provenientes de Taubaté, Poá, Ribeirão Pires, Santo André, Campo Limpo e Rio de Janeiro. O 1º Direcional Educação contou ainda com a palestra do consultor de marketing educacional, Christian Rocha Coelho, além da apresentação do contador de histórias Robson Santos. Patrocinado por seis empresas expositoras (Cineplast, Help Administração e Contabilidade, HetchTech, iFormação, Metadil e ZazTras), o encontro recepcionou o público com um café, ofereceu coffee-break e promoveu sorteio de prêmios.
TRÊS VIRTUDES NO CAMINHO DOS NOVOS PARADIGMAS
A palestra de Mario Sergio Cortella, realizada entre 9h00 e 10h30, “soou como música” os ouvidos dos participantes, conforme bem expressou o diretor do Colégio Discere Laboratum, do bairro do Tatuapé, Moacir Colangelo Pinto. Cortella discorreu sobre as mudanças de paradigmas mantendo um olhar apaixonado e apaixonante sobre o ato de ensinar e de aprender. E foi buscar em São Beda, monge anglo-saxão que viveu entre os anos de 672 e 735, três virtudes indispensáveis ao educador: ensinar o que se sabe, ato de verdadeira “generosidade mental”; praticar o que se ensina (“coerência ética”); e perguntar o que se ignora (“humildade intelectual”). “Elas nos colocam no caminho dos novos paradigmas, de uma educação que não envelhece a cabeça, a sociedade e o trabalho”, disse Cortella.
Segundo ele, a geração de “aprendentes” nascida no século XXI possui “outra noção de tempo e historicidade” e exige “fl exibilidade”. Entretanto, “não é a tecnologia que torna moderna uma mentalidade pedagógica, mas é uma mentalidade pedagógica moderna que não recusa a tecnologia quando ela é necessária”, avaliou o educador, ao diferenciar o velho e o idoso, o tradicional e o arcaico, a inovação e o modismo. De acordo com o educador, o velho está paralisado pelas certezas, enquanto o idoso, a despeito do caminhar dos anos, apresenta dúvidas, questiona-se o tempo todo e, nesse movimento, consegue inovar e estabelecer uma interlocução com o aluno.
Já o tradicional apresenta valor permanente, como a autoridade docente, a conexão com a família e a afetividade. O arcaico, por sua vez, é típico da escola que envelheceu pela desagregação do trabalho interno, pelo autoritarismo e pelo uso das informações como mera ilustração. “A emergência de novos paradigmas demanda novas atitudes, separar o que é tradicional do arcaico, parar de reclamar que o aluno não é mais o mesmo. Há um claro descompasso entre a prática do século XIX e o aluno que nasceu no século XXI”, avaliou.
Diante da primeira pergunta feita pelo público ao fi nal de sua palestra, Cortella acabou entrando, porém, em outro tema que tem trazido imensa difi culdade às escolas: este aluno nascido no século XXI vem desafi ando a autoridade docente porque está sendo criado em casa como um grande tirano, conforme apontou uma educadora da plateia. Cortella respondeu, então, que crianças e pais confundem hoje, de fato, “direitos e desejos”, mas “essa não é uma questão só das famílias, senão das escolas que também permitem essa tiranização”. O educador orientou as instituições a resgatarem a disciplina e, ao mesmo tempo, o seu papel de escolarização, mostrando às famílias que compete a estas a responsabilidade pela educação e, ao mesmo tempo, “chamando-as para dar conta do processo pedagógico” (ou seja, certificá-las das ações adotadas e resultados esperados, entre outros).
Respondendo ainda a questões sobre a função docente, Cortella enfatizou que os professores exercem na atualidade o papel de “mentores e orientadores de processos”, de “líderes que devem formar novos líderes”. Aconselhou os novos educadores a se afastarem “do professor velho” e a se aproximarem “dos idosos”, e recomendou aos gestores que ensinem “os velhos a se portarem como idosos”. “Envolva-os em projetos, em ideias, de forma a que eles tenham que se renovar. Se não der certo, tentem de novo. Mas se permanecerem velhos, dispense-os, porque estes fazem mal para o processo pedagógico. E se você não tiver poder para dispensá-los, tente minimizar sua influência.”
O educador finalizou lembrando que a despeito dos desafios atuais, a educação brasileira está “saindo da UTI”, está “no fim do começo”, já que o espaço público vem discutindo e/ou tomando medidas em direção a um piso salarial nacional para os professores, a uma lei de responsabilidade na área e à formação contínua, “coisas muito auspiciosas”.
ORGANOGRAMA DAS RESPONSABILIDADES PROFISSIONAIS
O segundo conferencista do dia, o consultor em marketing e coaching educacional Christian Rocha Coelho, abordou o tema “Escola sustentável: como crescer na Educação?”, direcionando o enfoque para os gestores e coordenadores. Entretanto, deixou dicas valiosas sobre o papel do educador na prática escolar, sobre motivação e estratégias de comunicação. “O que faz uma escola crescer e a torna sustentável é o trabalho realizado em sala de aula, a qualidade do corpo docente e as relações interpessoais com os alunos, seus familiares e a comunidade”, disse Christian. Mesmo na escola pública, torna-se indispensável “a valorização do trabalho da sala de aula e fazer o pai entendê-lo”, ponderou o consultor. Segundo ele, “a partir do momento em que o pai entender o que a escola faz, gera-se a comunicabilidade”.
Com a vivência de quem atende a mais de 800 escolas privadas no País, Christian observou que é importante que o pai forme “um raciocínio lógico para entender o processo de ensino-aprendizagem”. Para tanto, é preciso que a escola “traduza o que está fazendo, expresse objetivos, divulgue o processo e alimente este raciocínio lógico, ao mostrar as crianças produzindo, trabalhando”. Algo que, segundo o consultor, depende pouco de verba, mas exige mudança de rotina, ciclo que, em geral, demanda três anos, transformando educadores resistentes e pragmáticos em professores protagonistas.
Christian apresentou ao público um verdadeiro “organograma de responsabilidades” para gestores e educadores, delimitando as atribuições que competem a cada um. Mas o seu foco recaiu, principalmente, sobre a figura do coordenador, “um ponto nevrálgico” das escolas, já que eles realizam a gestão dos processos e devem liderar as equipes. O consultor ressalvou, por exemplo, que os coordenadores não podem perder seu tempo em atividades operacionais, mas investi-lo “no monitoramento, na lapidação e na mudança de atitudes comportamentais”. “Essa é a premissa básica do trabalho da coordenação, que deve monitorar e assistir aula, com periodicidade regular”, orientou.
Outras atribuições são acompanhar a entrada de professores e alunos, promover reuniões mensais em grupo, orientar professores com dificuldades, atender aos pais, analisar os diários de classe e responder aos emails. Ao professor, por sua vez, além de ministrar aulas, compete realizar um planejamento semanal, organizar, aplicar e corrigir as avaliações, desenvolver projetos e entregar os diários de classe. Esse é um docente protagonista, disse Christian, em uma palestra que se estendeu das 11h15 às 12h45, prosseguida por uma breve apresentação dos expositores e sorteio de prêmios.
REPERCUSSÃO
Paulo Roberto de Faria Xavier (Colégio Castro Alves)
Pedagogo, advogado e um dos mantenedores do Colégio Castro Alves, instituição com 1.100 alunos localizada no Parque São Lucas, zona Leste de São Paulo, Paulo Roberto (na foto ao lado) esteve no 1º Direcional Educação acompanhado pelo administrador da escola, Ricardo Miniussi. Entre os grandes desafios que recaem hoje sobre as instituições de ensino está “convencer os pais que somos parceiros”, disse. Ou seja, “conforme o professor Mario Sergio Cortella falou, convencêlos que estamos aqui para a formação complementar dos valores que devem vir do berço”. Paulo Roberto tem observado falta de apoio dos familiares sobre a disciplina e a organização com a qual as escolas devem atuar. “Quando a família procura a escola subentende-se que haja uma confiança tácita que precisa ser apoiada, olhando-se para as atitudes da escola como coerentes ao seu propósito”, comentou o mantenedor.
HOMENAGEM
Arlete Rosas Augusto Laranja (Colégio Augusto Laranja / In memoriam)
Toda a comunidade do Colégio Augusto Laranja, localizado em Moema, zona Sul de São Paulo, foi surpreendida pela triste notícia do falecimento de sua fundadora e mantenedora, Arlete Rosas Augusto Laranja (na foto ao lado), ocorrida no dia 26 de abril. Arlete completaria 45 anos à frente da instituição em agosto próximo. Ela prestigiou o 1º Direcional Educação, e se surpreendeu, no dia, com a afluência de público, comentando que o “educador busca hoje, tanto na parte da gestão quanto da didática, a formação prática, trocas, conhecer o que deu certo num lugar e identificar suas próprias dificuldades”. Arlete observou então que a gestão educacional mudou muito, se profissionalizou e deve perseguir o “equilíbrio administrativo”, ao mesmo tempo em que precisa manter-se ao lado do educador, “trabalhar junto e conhecer a realidade de cada sala de aula”. Nesse sentido, um de seus grandes desafios é investir em formação continuada, “já que a faculdade não dá essa prática”. “A educação é para quem tem essa paixão e consciência de que tem sempre que aprender”, finalizou Arlete Rosas, deixando como herança um grande trabalho na área da educação. (R.F.)
DESCONTRAÇÃO
A performance do educador, escritor e contador de histórias Robson Santos surpreendeu o público presente ao 1º Direcional Educação pela bem humorada apresentação do personagem Pedro Malasartes, figura sertaneja folclórica e aparentemente ingênua que encanta pela esperteza com que sai de situações embaraçosas e materialmente precárias.
PATROCINADORES: OPORTUNIDADE DE CONTATO DIRETO COM AS ESCOLAS
O saldo do 1º Direcional Educação foi positivo na avaliação da diretora do Grupo Direcional, Sônia Inakake, pois atendeu às expectativas do grande público presente às conferências de Mario Sergio Cortella e de Christian Rocha Coelho e também dos seis patrocinadores. Eles montaram mesas com a exposição de materiais relativos aos seus produtos e serviços no saguão do auditório do Colégio Maria Imaculada, atendendo pessoalmente aos representantes das escolas. Ao final do evento, sortearam eletrodomésticos, entre outros. O evento contou ainda com o apoio da Rabbit Partnership, do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo) e da AESP (Associação das Escolas Particulares).
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Versão online da reportagem de cobertura do 1º Direcional Educação:
- Acompanhe o guia de “Coaching Pedagógico e Educacional” desenvolvido pelo consultor Christian Rocha Coelho, da Rabbit Partnership.
- Veja ainda a repercussão do evento junto a outros participantes.
>> Clique aqui para assistir ao vídeo do evento 1º Direcional Educação
Matéria publicada na Edição 68 de maio/2011 da Revista Direcional Escolas
By autson.com













